Lisboa, sabes…Eu sei

Fotografias: Jarna Piippo Para uma jovem finlandesa estudante de língua e cultura portuguesa, a chegada a Lisboa, pela primeira vez, em 1986, deve ter sido uma experiência e tanto. Agora, aos 56 anos, Jarna Piippo, professora e tradutora a viver na sua Helsínquia...

Basta um pássaro voar

Tinta por uma linha. A décima quinta crónica de Francisco Mouta Rúbio, acompanhada pela ilustração do artista dualgo. E eu aqui sentado ceifando a colheita alheia das imagens tornadas palavra. À minha volta, a nossa Lisboa decepada de amor, esventrada pelas injecções...

Voluntários do Artéria valorizam participação e relação directa com a comunidade

São diversas as ocupações profissionais de quem escreve no projecto de jornalismo comunitário sobre Lisboa, produzido pelo PÚBLICO, com o apoio da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Alguns até estão reformados. Mas todos são motivados pela vontade de estreitar laços e ajudar a contar as muitas narrativas da cidade. Ouvimos alguns deles.

Uma visita a dois prodígios em Lisboa: o grande terramoto e Sebastião José

"Marquês de Pombal" e a cidade de Lisboa, de Louis-Michel van Loo (1707-1771) e Claude-Joseph Vernet (1714-1789), Museu da Cidade, Lisboa Já nos habituou a dele esperar nada menos que textos com ambição e profundidade, e elegantemente escritos, sobre os grande temas...

Almoços de Domingo ao Domingo

Ilustração: Adão Conde www.adaoconde.art A vida numa cidade é feita de um tecido heterogéneo de experiências. De obrigações profissionais ou académicas e de uma existência pessoal. De rotinas, deveres e burocracias, mas também de prazeres. De pequenas e grandes...

Descoberta

Um café adoçado com memórias

Um restaurante situado num grande centro comercial de Lisboa pode parecer lugar improvável para a realização de uma ação de cariz social. Mas esse é, precisamente, um dos pontos de encontro do Café Memória. Um projeto solidário destinado a ajudar pessoas com problemas de memória ou demência, bem como os respetivos familiares, amigos e cuidadores. Uma iniciativa baseada na participação de voluntários, dando assim uma resposta comunitária a um dos maiores problemas de saúde atuais. A chave é o poder da palavra e da empatia.

Teatro amador em Lisboa: pessoas movidas pela paixão

Uns contam com mais de sete décadas, outros somam poucos anos de vida. São grupos de teatro feito por amadores, pessoas que, depois dos afazeres pessoais, profissionais ou escolares, se reúnem por amor a esta arte. Em Lisboa e nos arredores, são muitas as companhias de teatro amador que, com todas as glórias e dificuldades, resistem na sua paixão pelo teatro. Eis cinco desses grupos.

Neste ateliê, ser avó é sinónimo de criatividade

A Avó Veio Trabalhar é um projeto lisboeta que promove o envelhecimento ativo. Saindo do metro em Arroios, a caminhada é curta até à porta verde-água do número 10 do Largo Mendonça e Costa, junto à Rua Morais Soares. É a mais colorida. Lá dentro, trabalham avós, em coleções “fora da caixa” que são vendidas ao público nacional e internacional. Dos 65 aos 87 anos, com energia e afinco, há um sorriso no olhar de quem gosta daquilo que está a fazer.

Krisna congrega os moradores de Campolide com as suas fotografias na montra

Os retratos tirados com os clientes e expostos na loja de ferragens da Rua de Campolide funcionam como prova maior de carinho de e para com uma lojista. Na verdade, tem sido mais do que isso. O que começou como uma brincadeira tornou-se na mais evidente demonstração de que os laços de amizade e vizinhança são ainda o sedimento da vida de bairro. Basta um sorriso e a vontade de trocar dois dedos de conversa.

Comunidade

“Somos uma referência no trabalho com as comunidades migrantes”

Quase a comemorar 15 anos e quando passa uma década sobre a inauguração da sua sede e casa comunitária, a Associação Renovar a Mouraria (ARM) depara-se com desafios diferentes dos que a originaram. O bairro mudou muito. Elemento central no processo da sua reabilitação, o colectivo tem hoje a actividade centrada no apoio aos imigrantes. Uma parte dos quais até poderia ser mais aberta para com o resto da comunidade, admite Filipa Bolotinha, coordenadora geral da ARM. Mas a grande preocupação é mesmo a falta habitação a preços acessíveis. “As coisas estão a atingir um ponto que é completamente insustentável”, diz.

“Estão a criar-se novas dinâmicas na vida comunitária em Lisboa”

Observador atento das mudanças ocorridas, nas últimas décadas, na capital portuguesa, João Seixas considera que a sociedade e, em particular, o poder político têm evidenciado dificuldade em acompanhá-las. “A cidade pede, quase que grita, por novos modelos de desenvolvimento económico e ecológico”, diz o professor e investigador da Universidade Nova, salientando já não fazer sentido falar do “município central versus a periferia”. Lisboa é hoje toda a área metropolitana, com núcleos de dinamismo social, económico, cívico e cultural espalhados por vários concelhos e bairros. Por isso, afirma, “é essencial debater o que queremos para a cidade e para a grande região urbana”. Mais urgente só mesmo resolver o grave problema de falta de habitação acessível.

Rosa luta pela dignificação de um bairro degradado junto à Graça

Durante décadas, a Quinta do Ferro tem sido uma espécie de enclave de decadência e pobreza bem no centro da cidade, entre a Graça e Santa Apolónia. Depois lá ter vivido no início dos anos 70, uma antiga funcionária pública nunca deixou de acreditar na sua requalificação. “Muita gente gostava de viver aqui. É um sítio com uma claridade como poucos têm”, diz.

Perspectiva

Lisboa, sabes…Eu sei

Fotografias: Jarna Piippo Para uma jovem finlandesa estudante de língua e cultura portuguesa, a chegada a Lisboa, pela primeira vez, em 1986, deve ter sido uma experiência e tanto. Agora, aos 56 anos, Jarna Piippo, professora e tradutora a viver na sua Helsínquia...

Prazer! Olivais…e a menina chama-se?…

Ilustração: Adão Conde Um desfiar das memórias de adolescência de uma antiga habitante dos Olivais, uma das maiores – e talvez das mais esquecidas – freguesias da capital portuguesa, a funcionar também como viagem sentimental por uma certa Lisboa, durante os anos 80...

Viver Lisboa também a partir da sua periferia

"Saloias", por Silva Porto, 1870 (domínio público): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Saloias_-_Silva_Porto.png Olhar para uma cidade de dimensão metropolitana implica fazê-lo também na relação com a sua periferia. Não só porque é através dela que o centro vai...

Iniciativas

Aprender a mexer na terra e a plantar legumes no Bairro 2 de Maio

Aprender a mexer na terra e a plantar legumes no Bairro 2 de Maio

O vento frio e, a espaços, a chuva miudinha não foram suficientes para desmobilizarem a dezena de interessados que, na manhã deste sábado, se juntou no parque hortícola do Bairro 2 de Maio, na Ajuda. A sessão prática do workshop de agricultura urbana promovido pelo Artéria – projecto de jornalismo comunitário do PÚBLICO, apoiado pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa – revelou-se uma entusiástica jornada de aprendizagem e um abraço ao poder reconfortante do labor na terra. Durante três horas, e complementando o que se havia aprendido na sessão teórica de 3 de Dezembro, o monitor Sylvain Payon ensinou, através da demonstração, os rudimentos de como se deve trabalhar um terreno, limpando-o e preparando-o para o plantio de legumes e hortícolas. De seguida, os alunos – ou melhor, as alunas, pois contavam-se dez mulheres e uma criança – puderem experimentar como se semeiam alhos ou nabos. E, no final, ainda levaram chuchus e batatas doces. Ficou plantada a semente para voltar a mexer na terra.

Passear pela avenida com olhos e ouvidos postos na história

Passear pela avenida com olhos e ouvidos postos na história

Apesar das nuvens cinzentas e do vento frio, a manhã deste sábado revelou-se bem simpática para quem se juntou ao passeio Artéria dedicado à Avenida da Liberdade. Guiada por Maria Calado, presidente da direcção do Centro Nacional de Cultura (CNC), a visita foi uma lição viva sobre a história, o urbanismo e a arquitectura do mais emblemático arruamento da capital portuguesa. Com uma duração de duas horas e meia, o périplo comentado conduziu os participantes num itinerário ascendente, entre a Praça dos Restauradores e a Praça do Marquês de Pombal. Pelo caminho, foram ouvindo as explicações serenas da historiadora sobre as origens e a evolução histórica “da Avenida”. O Artéria é o projecto de jornalismo comunitário sobre Lisboa produzido pelo PÚBLICO com o apoio da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

Viver melhor em Lisboa começa no questionar “esta correria” e em abrandar

Viver melhor em Lisboa começa no questionar “esta correria” e em abrandar

No sexto debate Artéria, houve consenso sobre a necessidade de desacelerar. A ideia que sobrou da conversa, moderada por Manuel Carvalho, director do PÚBLICO, é a de que andam todos a queixar-se de falta de tempo e de stress a mais, mas ninguém sabe como sair desta espiral viciosa. Se é verdade que há questões estruturais, relacionadas com o acesso a coisas tão vitais como a habitação e os transportes, a mudança principal talvez deva iniciar-se por pôr em causa o que move cada pessoa. É mesmo isto que queremos?

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