“Lisboa, a cidade que principalmente me inspira”

17 de Junho, 2022

Reportagem

Inês Palhares Rosa
Muitos artistas escolhem as ruas de Lisboa como espaço de trabalho. Tudo acontece em plena calçada portuguesa, desde pequenos concertos, a galerias de arte improvisadas. A pintora e ilustradora estónia Anne Laidam é um desses casos. Encontra-se há mais de uma década no Miradouro de São Pedro de Alcântara a partilhar as suas pinceladas.

Vinda de Tallin, capital da Estónia, vive em Portugal desde os 21 anos. Apaixonou-se pela cultura, pela história, pelo clima e pela gastronomia portugueses. Anne Laidam, de 43 anos, é a pintora e artista de rua que trocou o conforto do seu ateliê pela atmosfera do Miradouro de São Pedro de Alcântara. Uma licença atribuída pela Câmara Municipal de Lisboa, em 2009, permite-lhe mostrar a sua arte e oferecer “pinceladas soltas, uma partilha alegre, positiva, imediata e espontânea” a todos os que passam naquele local. Ali, pratica e expõe um trabalho mais descontraído, com todos compartilhando a sua criatividade. Existe, no entanto, um outro lado artístico, que inclui obras de arte mais detalhadas e trabalhosas.

A graciosidade e a rapidez com que manuseia o pincel não passam despercebidas. O interesse e talento para a arte começaram desde cedo. Iniciou-se na Escola de Artes de Tallin, até chegar à Sociedade Nacional das Belas Artes (SNBA), em Lisboa, em 2012. Estudou pintura e ateliê livre e a sua habilidade e paixão levaram-na a arrecadar dois prémios em 2016. Há oito anos que é sócia da SNBA e, por isso, participa anualmente numa exposição coletiva, onde se reencontra com os colegas de ofício e expõe as suas obras.

Apesar de elaborar obras de arte para exposições no seu ateliê, Anne Laidam prefere um cantinho ao ar livre. “Esta partilha na rua é uma experiência única de divulgar a minha versatilidade, baseada na memória visual do mundo, que nunca aconteceria se eu não aproximasse a minha arte do público, diariamente”, explica. A artista sente-se integrada na energia e na dinâmica de Lisboa. Tem clientes portugueses habituais e turistas de todas as nacionalidades. Pinta o que lhe pedem, desde paisagens de Lisboa e do mundo a retratos e caricaturas. O que vende são peças que apelida de artesanato, são “recordações que as pessoas podem levar desta cidade”.

Portugal é o lugar de eleição. Já visitou e retratou milhares de locais, até mesmo aqueles que não conhece, mas “Lisboa tem um encanto infinito”, considera, acrescentando que é a cidade que mais desperta a sua criatividade.

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